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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Enapet 2014 Santa Maria - Diário de Viagem - A cerimônia de abertura e suas contradições

Esse primeiro dia foi um show de eficiência e organização, desde a acolhida no credenciamento até a festa de abertura, eficiência que inclusive por vezes espantou.
Na programação  tivemos, após o credenciamento, a cerimônia de abertura, seguida de apresentações de danças gaúchas tradicionais, culminando em um típico churrasco gaúcho.
Minha proposta aqui é apresentar as impressões a respeito desse dia, que acabam interferindo nas minhas impressões a respeito da estrutura PET.
Inicialmente é importante ressaltar que apenas participando de um evento com essas proporções pude perceber a dimensão do PET. Sofremos de falta de integração crônica, mesmo entre os PETs da própria UFRJ.  Vivemos cada um pautados por suas proprias atividades sem perceber a força que o programa tem quando olhado de forma geral, em números, atualmente são 843 projetos espalhados por Universidades de todo o país.
Já na abertura, não foi possível deixar de perceber algumas ambiguidades que permeavam os discursos. De certa forma essa ambiguidade ja era esperada por nós. Sendo o PET uma parte integrante da Universidade bem como da sociedade compreendo que se aplica também a ele uma das conclusões as quais chegamos na elaboração do trabalho apresentado no próprio encontro, de que "estamos falando de situações caracterizadas por relações de dominação; situações onde existem - ainda que por vezes seja difícil delimitar claramente - atores que tem algum tipo de benefício por ocupar posições dominantes" (p 11)

Isso se tornou evidente pra nós em falas que ao mesmo tempo em que exaltavam repetidamente as "construções coletivas", a "partilha", o "coletivo" e a "troca de experiências" apresentavam também uma visão hierarquizada de trabalho e de mundo na qual seria preciso saber identificar e aceitar " os momentos em que você é chefe e os momentos em que você é peão" !

A partir de todas as reflexões que o PET/Conexões - Diversidade me proporcionou, entre outras experiências acumuladas da vida acadêmica acredito que muitos espaços precisam ser ocupados, e muitos conflitos sobre a concepção de "construir coletivamente" precisam ser travados até que se construa um programa que reflita na prática os termos hipervalorizados no discurso.

domingo, 27 de julho de 2014

ENAPET Santa Maria 2014 - Diário de Viagem - A Chegada

O ENAPET Santa Maria - 2014 sem dúvidas tem sido um evento que suscitou muita expectativa. Dentre todas as diferenças que existem entre o calor carioca e o frio do sul, que pretendemos conhecer durante essa semana, quero destacar a grande estreia, a coisa que foi mais marcante para mim no dia de hoje. Graças ao ENAPET quatro, entre os cinco viajantes tiveram hoje a sua primeira vez em um avião. Um medo foi cozinhado durante meses em banho maria, até que hoje percebi o que muita gente sabe, o medo é apenas algo que te impede de crescer. Essa manhã acordamos no Rio de Janeiro, almoçamos em Porto Alegre e jantamos em Santa Maria. Esse é o tipo de experiência que sem dúvida amplia os nossos horizontes.

Desde que chegamos aqui, a cada hora colocamos mais uma peça de roupa. O sol das duas da tarde, aqui parece inofensivo. Agora percebemos que cachecóis não servem apenas para deixar um look mais bonito. Luvas e toucas que mal tem lugar no calor intenso do Rio, pipocam aqui por todos os lados em tamanhos, cores e formatos diferentes.

Antes mesmo do início, ainda no vôo, conhecemos um PET - Administração do Pará, e o PET - Inclusão da UFRRJ. Certamente essa experiência nos trará alguns ganhos, um deles é o fortalecimento dos nossos laços, dentro do nosso PET - Diversidade, através da transposição coletiva de problemas e compartilhamento de bons momentos durante a viagem. Para além disso, tivemos hoje, e teremos durante toda essa semana a possibilidade de criar redes e trocar experiências com vários PETs, de lugares diferentes e temáticas diferentes, aprendendo assim com o acúmulo dos saberes dos colegas de todas as partes do Brasil. Somos o PET - DIVERSIDADE e não podíamos estar mais contentes com toda essa expectativa de pluralidade e de troca de conhecimentos.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Diário de viagem #4 - Ações afirmativas: inclusão da diversidade etnicorracial

Participamos hoje de um minicurso cujo tema era Ações Afirmativas: Inclusão da diversidade etnicorracial. Talvez pela limitação de tempo e pelo grande esforço do Drn. Sérgio Pereira dos Santos em abordar a grande diversidade de assuntos relacionados a discussão das ações afirmativas e o desenrolar de seus processos históricos pairou uma sensação de superficialidade no andar das discussões. Ainda assim destaco alguns pontos que suscitaram reflexões ou questionamentos.
Durante  a apresentação foi recorrente o retorno a questão da formação da identidade negra e sua importância para a capacidade de articulação da luta por  direitos. Pensando nessa afirmação podemos problematizar quão prejudicial é a negligência do conceito de raça numa perspectiva política, social e cultural, que geralmente se manifesta em frases do tipo "Não existe raça" ou " quem tem raça é cachorro". Esse tipo de comportamento contribui, ao ignorar a existência desses grupos, para a maior dificuldade de mobilização e luta.
Essa não identificação tem também como um de seus resultados um fenômeno que torna a maior parte da população "moreninha" ou "chocolate", entre muitas outras denominações... A não identificação objetiva entre preto e branco acaba tirando de cenário tensões raciais que poderiam vir a se manifestar em nossa sociedade e contribuir para a luta anti racista. Ao falar das questões relacionadas as dificuldades enfrentadas pelos negros no Brasil toda essa camada que se coloca num setor intermediário não se reconhece e e não se mobiliza.
Algo que me chamou bastante atenção e que acho válido compartilhar foi a contribuição de um aluno da UFES, vindo do interior da Bahia. Esse aluno demonstrou receio quanto a recepção dos novos alunos cotistas que entrarão pela lei 12.711/2012, já que segundo sua perspectiva a UFES é uma Universidade extremamente racista. Suas preocupações giravam em torno de manifestações como as que aconteceram na UNB e mais recentemente na Unesp quando alunos não cotistas picharam injúrias raciais nas paredes das respectivas Universidades.
Saímos do debate refletindo sobre como poderia se dar essa recepção, inclusive transportando para a nossa realidade no Rio de Janeiro...ao chegar no banheiro nos deparamos com a seguinte manifestação:

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Diário de Viagem #3 - "Conexões" na UFES

E qual não foi a nossa surpresa quando ouvimos sobre o Conexões de Saberes na UFES...
Ao chegar nessa Universidade algumas diferenças nos saltaram aos olhos, mas o fato de saber da existência de um Conexões de Saberes causou empatia de forma imediata.
Evidentemente existem algumas diferenças entre o modelo que foi aqui implantado e o que foi está sendo desenvolvido na UFRJ e a principal diferença que me chamou atenção foi o recorte racial aqui utilizado no processo de seleção dos bolsistas.
Segundo a coordenadora do projeto, Mestre Leonor Araújo, no ano de sua implementação existiam apenas 386 alunos com o perfil para ser bolsista do Conexões, em toda UFES, pode parecer um dado surpreendente mas se torna perfeitamente inteligível quando se caminha pelo campus da Universidade.
Participaram conosco da mesa de Reinstalação do fórum de educação etnicoracial , alunos da licenciatura noturna de cursos diversos . A sensação ao olhar esse público era de certa homogeneidade , eram majoritariamente brancos e de até 25 anos.
Em comparação com as minhas experiências na UFRJ observa-se uma mudança significativa quando se olha para as turmas de licenciatura noturna. Ao menos no IFCS-IH as turmas noturnas costumam ser bem mais heterogêneas, marcadas por  idades variadas e por maior diversidade racial. 
É evidente que baseio essa reflexão apenas em minhas impressões e não em dados meticulosamente coletados, mas se as impressões podem ser levadas em consideração as minhas trazem o seguinte paralelo: Mesmo nas turmas de licenciatura da UFES a sensação que se tem ao chegar é de estar entrando no Centro de Tecnologia da UFRJ.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Diário de Viagem #01


Estamos no segundo ano de PET /Conexões de saberes - diversidade e chegamos aqui, no mês de novembro, depois de um longo período de greve que alterou significativamente a dinâmica de trabalho do nosso grupo. Enquanto no ano passado desenvolvemos mensalmente o “Cineclube Conexões em Cartaz” e bimensalmente o “Segundas de diálogos”, por conta da greve esse ano fizemos apenas duas  sessões do Cineclube e hoje realizaremos a primeira roda de diálogos.  
Apesar disso seguimos com os esforços de pesquisa, tendo sempre em mente os pilares que sustentam um bom trabalho universitário: ensino, pesquisa e extensão. Nos  preparamos durante o primeiro período através do curso de “Educação e Etnia” para os conexistas que ainda não o tinham cursado, e agora no segundo período  estamos cursando a disciplina “Colonialismo, educação e pedagogia da revolução”, no intuito de embasar teoricamente nossas reflexões. Além disso entendemos a própria pesquisa como um alimento para a extensão na escola parceira CIEP Gregório Bezerra localizada no bairro da Penha, Rio de Janeiro, atividade essa que foi realizada no mês de novembro de 2012.
Durantes as pesquisas trabalhamos de forma individual ou em dupla, Minha pesquisa foi individual. Ela buscou abordar as diferentes perspectivas sociais no início do século XX, a respeito de questões raciais presentes na sociedade da época. Para tanto analisei os jornais Clarim da Alvorada e Folha da noite traçando seu leitorado, o setor social que o jornal representa e sua ótica sobre a fundação da Frente Negra Brasileira (lembrando que como a pesquisa ainda está em desenvolvimento, outros eventos ainda serão analisados ). Com base na análise foi possível entender algumas convergências e divergências entre esses setores com relação a temática racial.
Como já disse anteriormente essa pesquisa gerou subsídios para a execução da oficina no Ciep Gregório Bezerra e a partir das experiências lá obtidas todo o grupo pautou suas apresentações no Congresso de extensão da UFRJ. A pesquisa nos levou a apresentação também na Jornada de iniciação científica da UFRJ, e nesse momento estamos em Vitória , Espírito Santo, dando início ao nosso “diário de viagem” que vai relatar nossas impressões sobre o V Seminário Nacional de Educação das Relações Raciais Afro-brasileiras, além de tudo que nos parecer pertinente com relação a experiência cultural que é sair dos limites do seu Estado.

Programação de Hoje (28/11):
- 17h Apresentação de grupos de Jongo/Congo
-19h Cerimônia de abertura – Conferência: Drª Luciana de Barros Jaccoud – Doutora em sociologia pela escola de altos estudos de Ciências Sociais (EHESS-Paris)                                                                                                                                                  




sábado, 2 de junho de 2012

Minhas percepções sobre o Seminário Internacional Histórias do Pós-abolição no Mundo Atlântico



     Escrevo ainda encantada com o Seminário Internacional Histórias do pós-abolição no Mundo Atlântico, ocorrido no Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Federal Fluminense, nos dias 14,15 e 16 de maio. Primeiro de tudo porque é inevitável o sentimento de admiração ao conhecer suas referências bibliográficas ao vivo e á cores.
     A animação foi grande também por ver tanta gente trabalhando com o pós-abolição. Quanto a esse tema, é perceptível a marginalidade a qual ele é relegado na academia e perceber tanta gente pesquisando e produzindo nessa área foi instigante.
     Quanto aos trabalhos, eram as temáticas mais diversificadas possíveis desde a odisseia de Rosalie no trabalho "Rosalie nação Poulard. Uma odisseia atlântica na era das emancipações" da Drª Rebeca Scott da  University of Michigan até as  interpretações feitas a cerca do marujo e suas características físicas entre os anos de 1890-1910 no trabalho "Corpo, cidadania e cor: Ser marujo no pós-abolição" da Drª Silvia Capanema da Université Paris 13-Nord.
     Participar desse seminário abriu um leque de novos assuntos, conexões e referências que eu nem sabia que existiam. Essa exposição às mais diversas perspectivas trouxe consigo também a oportunidade de abrir a mente para outros pontos de vista acerca de assuntos que eu já conhecia.
     Certo é que eu saí de lá com muita vontade de conhecer mais a todos os elementos interessantes que foram apresentados.
     Falando agora sobre o que mais me impressionou posso citar primeiramente o trabalho da Drª Giovana Xavier da UFRJ, "Don´t Worry About Bad Skin": indústria cosmética, propaganda e cultura da beleza negra na pós-emancipação (EUA, 1917-1928)". Apontando uma tendência de usar os  "bleachings" como saída a um problema social que representava ser uma "colored girl" naquele período.
     Cito também o trabalho " A cidade vestiu-se de gala". As outras festas de maio de 1888" da Drª Renata Moraes da PUC- Rio. Esse trabalho deixou evidenciado algo que acabo me esquecendo às vezes, de que a visão de uma princesa Isabel não redentora que assinou a abolição respondendo a demanda emergente de um contexto político e social é uma construção feita a posteriori. Analisando essa abolição a luz das consequências que ela trouxe para uma maioria dos "homens de cor" que já se encontrava livre ou liberta é fácil esquecer o contexto da época no qual a princesa foi celebrada sim por assinar a lei em 13 de maio de 1888.
     Por último cito os dois trabalhos sobre Lima Barreto apresentados no primeiro dia do seminário. "O literato da "Vila Quilombo": Lima Barreto no Brasil do pós-abolição", do Dr° Denilson Botelho da UFPI e "Os caminhos da negritude em Lima Barreto" da Drª Laiana Lannes de Oliveira, da Fundação Casa de Rui Barbosa. Esses trabalhos trouxeram questionamentos interessantes acerca da apropriação da imagem de Lima Barreto como uma espécie de mártir negro em contraposição a existência de manifestações racistas em seus diários. Além de trazer a tona e questionar a possibilidade de uma identidade partida: porque Lima Barreto por ser negro tinha necessariamente  que desenvolver um perfil de identidade que fosse racializado,  tornando esse conflito racial existente em seus diários uma "ruptura" de personalidade?
     Essa foi apenas uma pequena parte das discussões acontecidas no seminário, os debates foram muito ricos e foi uma excelente oportunidade de aprendizado.

domingo, 27 de novembro de 2011

As oficinas - A importância do ensino de cultura negra nas escolas

A preparação para a inserção com nossas oficinas nas escolas foi baseada no tripé ensino, pesquisa e extensão. Além de aulas sobre educação e etnia, me preparei para a atividade de extensão através da pesquisa sobre a verdadeira realidade nacional quanto a inserção do negro no mercado de trabalho no pós-abolição.

Uma vez já informada pela pesquisa, o maior desafio na escola foi o exercício de desconstrução de conceitos já tão arraigados no pensamento dos jovens e adultos. Para tal me utilizei de atividades capazes de chamar atenção para as contradições existentes nesses conceitos com os quais eles estão habituados.

Começando a internalizar a desconstrução desses conceitos os alunos compartilharam suas experiências, já em uma perspectiva de análise quanto aos fatos ocorridos. Essa troca de experiências foi seminal para minha construção .

Inevitavelmente as discussões durante a oficina levaram a um tema latente na escola e na sociedade como um todo: O Racismo. Importantíssimo foi observar e adquirir essas reais experiências sobre como o racismo se insere na realidade e no dia-a-dia dos alunos.

Um cuidado tomado na realização das oficinas foi no sentido de não dicotomizar as relações na sociedade entre negros e imigrantes.
Notei a partir dessa experiência a importância do ensino da cultura negra nas escolas, a medida em que os alunos sentiram-se representados no conteúdo da oficina e perceberam que a sua realidade pode ser objeto de análise, pontencializou-se o interesse acerca dos diversos questionamentos inerentes as relações raciais tratadas nas oficinas. E suscitar o interesse dos alunos é o maior investimento que se pode fazer para que no futuro existam mais pessoas questionando e buscando soluções para a realidade que as cerca.

Mês da consciência negra - O negro no Brasil contemporâneo


Para celebrarmos o mês da consciência negra, os grupos PET/Conexões de saberes - diversidade e PET/ Conexões de saberes - identidade realizarão um evento em que poderemos discutir o posicionamento do negro em nosso país atualmente.

Realizaremos um circuito de atividades:

- Pela manhã teremos uma mesa com a presença de diversos convidados discutindo a atual situação do negro na sociedade.

Na parte da tarde teremos diversas atividades culturais:
- Oficina de grafite
- Danças africanas e afro-brasileiras
- Apresentações de Rap


Esse evento se realizará no dia 29/11
Na UFRJ - Campus da Praia Vermelha
Auditório Manuel Maurício de Albuquerque.



quarta-feira, 27 de julho de 2011

Segundas de Diálogo - As ações afirmativas para negros no Brasil e nos EUA: Balanço e perspectivas.

Por: Thayara C. S de Lima

Nos posts anteriores alguns de meus colegas fizeram as devidas apresentações do evento e dos componentes da mesa: Prof° Dr° Michael Hanchard ( Johns Hopkins University), Profª Drª Rosana Heringer ( FE/UFRJ) e meus colegas conexistas Bruno Ramalho e Stephanie Sousa que além de conduzir muito bem o evento defenderam o posicionamento do grupo de maneira firme e confiante. Por isso em meu post concentrar-me-ei em impressões baseadas nos debates e nas apresentações da mesa.
O primeiro ponto que chamou minha atenção diz respeito ao balanço e perspectiva apresentados pelo Prof° Dr° Michael Hanchard sobre as políticas de ação afirmativa nos EUA. Um país constantemente apontado como exemplo de segregação mas também como palco de uma forte luta pelos direitos igualitários para negros e brancos. Essa luta resultara, entre outros, em políticas de ação afirmativa, outrora fortemente presentes, que hoje, após a crise de 2008, segundo expôs Dr° Michael vem perdendo força . Colocando lado a lado Brasil e EUA, percebo que enquanto nós estamos ainda em fase de luta para que se estabeleça a igualdade, os EUA caminham para trás a medida em que com a crise a desigualdade torna a se evidenciar.
Destaco um trecho de uma coluna da Folha de São Paulo de 26/07/2011 que pode ser vista na íntegra no seguinte endereço: O galope da desigualdade .

´´o site Huffington Post divulga análise estarrecedora sobre a desigualdade nos Estados Unidos: a diferença de renda entre os brancos e as minorias negra e hispânica atingiu o mais alto nível em 27 anos ou seja desde que se fazem pesquisas do gênero...A análise compara esses números com os de 1995, quando a diferença entre brancos e as duas minorias (negra e hispânica) era de apenas 7 para 1. O ano de 1995 marca o momento de expansão econômica que içou as minorias para um novo patamar de renda.``

Podemos observar essa regressão quando no trecho aparece a comparação com o ano de 1995, um ´´ano de promoção das minorias``.

O segundo ponto que me fez refletir bastante em nosso debate foi durante a participação de meu colega conexista Rogério. Ele questionou sobre a influência que as ações afirmativas tem sobre o preconceito e o racismo. Pensando sobre essa questão cheguei a conclusão de que a intenção principal da ação afirmativa não é influir sobre esses aspectos diretamente, inclusive um dos argumentos de quem se posiciona contra as ações afirmativas é a de que elas acabam por gerar tensões raciais na sociedade, se pensarmos naquela frase ´´tratar os desiguais como iguais só gera mais desigualdade`` fica mais fácil compreender que o objetivo dessa ações são de subsidiar um posicionamento igual de fato do negro na sociedade, dar condições para que ele se coloque de maneira igual. Quanto a estes graves problemas de nossa sociedade, o preconceito e a discriminação, acredito que influenciarão de forma muito positiva sobre eles a lei 10.639, apresentando e promovendo a cultura afro-brasileira, pois é só com o conhecimento que se pode acabar com o mal do pre-julgamento.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Cine Clube Conexões em Cartaz - ´´Amistad``

Por: Thayara C. S. de Lima

Aconteceu na última quarta feira, dia 29 de junho, a segunda edição do cine clube Conexões em Cartaz, com a exibição do filme ´´Amistad``.
Participei, com boa dose de nervosismo, realizando a contextualização do filme.
´´Amistad`` é uma produção ´´Hollywoodiana`` e como tal deve ser analisada, fato para o qual nos atentou a Profª convidada, e também coordenadora do projeto PET conexões - Identidades, Warley da Costa. Muito embora não possa ser desconsiderada seu valor como fruto de uma detalhada pesquisa histórica e ótimo material elucidativo para utilização em sala de aula.
O filme possui uma forte carga emocional e começa explicitando a recusa dos africanos, recém capturados, em tornarem-se escravos. Mesmo acorrentados, em nenhum momento eles deixaram que sua essência fosse escravizada.
Nos são apresentadas diversas etapas de sua luta, começando pelo embate com os traficantes negreiros, contexto no qual é exposto todo tipo de maus tratos e desumanidades as quais eram submetidos os prisioneiros, e chegando a luta jurídica pela sua liberdade, que com o engajamento dos abolicionistas estadunidenses passou do status de pleito de um grupo específico ao de uma luta mais generalizada pela abolição.
É interessante observar que mesmo em meio a todas essas situações adversas, a sua identidade cultural permanece inabalável, seja numa prisão estadunidense, ou a bordo do navio negreiro eles mantém intactas suas tradições culturais, e esse sentimento de pertencimento a um lugar é representada principalmente pelo intenso desejo de retorno a África. Não adianta que sejam dadas cem voltas em torno da árvore do esquecimento (referência ao primeiro filme exibido no Cine clube, o documentário ´´Atlântico negro: Na rota dos Orixás``. No qual se faz referência a um ritual que os capturados eram obrigados a fazer, segundo esse costume, ao dar determinada quantidade de voltas na ´´Árvore do esquecimento`` o escravizado tornava-se uma ´´página em branco`` esquecendo-se de sua cultura e tradições e pronto pra uma vida de servidão como simples instrumento de trabalho). Por conta dessa forte identidade ,que eles mantinham, a cultura africana acabou por se espalhar pelo mundo juntamente com os escravos.
Outra questão referente a cultura que chama bastante atenção é o choque cultural bilateral, não há só o espanto do estadunidense para com o africano, o oposto também é exemplificado desmistificando inclusive a visão tribal que prevalece no imaginário popular sobre a África.
Este Filme é baseado em fatos reais, e refere-se ao processo UNITED STATES X LIBELLANTES AND CLAIMANTS OF THE SCHOONER AMISTAD (Estados Unidos X requerentes da escuna amistad). Esta foi a primeira vez que a escravidão foi de fato enfrentada pela suprema corte estadunidense.
A acusação foi baseada em um tratado ratificado pelos EUA e pela Espanha, e tenta se valer da classificação dos negros como mercadorias. Segue o artigo 9° desse tratado :

´´Todos os navios e mercadorias, de qualquer natureza, que sejam resgatados das mãos de piratas e ladrões, em alto-mar,devem ser levados para qualquer porto de um dos países participantes do tratado, e lá devem permanecer sob custódia pelas autoridades portuárias, para que sejam devolvidos para seus verdadeiros proprietários, assim que houver comprovação suficiente relativa a sua propriedade``

O que antes era apenas um processo de cunho comercial, acaba tocando num ponto central da política americana na época: a questão do abolicionismo. Todo o julgamento do processo é permeado pelo constante medo de uma guerra civil, e nesse momento era notório o receio político de que esse processo viesse a ser o estopim.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Crítica ao capital privado nas Universidades - ´´A Universidade no século XXI``

Por: Thayara C. S. de Lima

Quanto a questão da iniciativa privada, discordando do Bruno, não acredito ser possível uma associação onde há o capital empresarial entrando na universidade, sem esperar um retorno. Apartir do momento em que uma empresa privada instala seu capital dentro da universidade, e as vezes instala-se até fisicamente, ela acaba direcionando e monopolizando as pesquisas, não sei se me faço entender perfeitamente. Um exemplo claro é a corrida por financiamentos, onde ao invés de se pesquisar em uma área de interesse o pesquisador opta por realizar seus estudos baseado na possibilidade de aplicação em determinada empresa, os conhecimentos deixam de visar o benefício universal e passam a ter uma conotação capitalista, outra consequência é o surgimento do monopólio do conhecimento pela determinada empresa, o que no texto de Marilena Chauí era denominado como ´´Sociedade do conhecimento``.
Não enxergo os níveis da mercadorização da educação de forma isolada, acredito que o primeiro irremediavelmente levará ao próximo caso a sociedade acadêmica aceite essa associação com o capital privado. Concluindo a citação do Boaventura que o Bruno utilizou, ´´a universidade pública mantém a sua autonomia e a sua especificidade institucional, privatizando parte dos serviços que presta.`` Para mim soa contraditório uma universidade pública com parte de seus serviços privatizados.

Não acho que os EUA seja um exemplo a ser seguido, sob a minha ótica o que houve com as universidades de lá foi exatamente o que nós lutamos para que não aconteça aqui, as universidades públicas foram absolutamente banalizadas, e mesmo assim elas não são mais gratuitas, o estado praticamente se eximiu de responsabilidade sobre a educação superior, e como o autor cita em grande parte elas se mantém ´´através do aumento dos preços das matrículas``, em minha opinião o resultado desse processo foi uma elitização ainda maior dos níveis superiores de ensino de qualidade. Não raramente observamos em filmes de hollywood cenas onde um bebê nasce e os pais começam uma poupança para a universidade, pode parecer um exemplo banal, mas demonstra a inacessibilidade que esse processo acarretaria para um estudante de origem popular que desejasse ingressar em uma universidade de qualidade aqui no Brasil.
Ainda no campo dos exemplos estrangeiros, me chamou muita atenção a postura adotada pelo banco mundial em relação a África. Acredito que a impossibilidade de crescimento intelectual gera uma sociedade que jamais conseguirá se estruturar adequadamente do ponto de vista político e econômico gerando assim um ciclo de subdesenvolvimento.

As crises da Universidade pública já estão devidamente identificadas, Fica claro pra nós que a própria instituição aparenta não ter tomado consciência dos danos acarretados pela sua postura de organização social, uma vez que elas seguem ainda cultivando as causas dessas crises. Cabe a sociedade acadêmica não permitir que elas sejam resolvidas/encobertas como foram a crise de legitimidade e a crise de hegemonia, sendo niveladas por baixo, a primeira ´´pela crescente segmentação do sistema universitário`` e a segunda ´´pela crescente descaracterização intelectual da universidade``.

A Universidade no século XXI

Por: Thayara C. S. de Lima

Boaventura de Sousa Santos, nascido em 15 de novembro de 1940, é doutor em sociologia do direito pela Universidade de Yale, professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick, além de participar da coordenação científica dos seguintes programas de doutoramento: Direito, justiça e cidadania no século XXI, Democracia no século XXI e Pós-Colonialismos e cidadania global.
Tem trabalhos publicados sobre globalização, sociologia do direito, epistemologia, democracia e direitos humanos.

Nos ateremos por enquanto ao seu artigo entitulado "A Universidade no século XXI", no qual Boaventura defende a ideia de que a universidade está mergulhada numa crise profunda e de dimensões globais, mas com especificidades em cada país.
Segundo o sociólogo, trata-se de uma crise, predominantemente, institucional, decorrente de um processo crescente de descapitalização - em que os governos deixam de investir - e de privatização da universidade pública. Esse processo, que teve início nos anos 80, chega, na atualidade, a uma situação de limite. "A universidade tal qual ela é está a chegar ao fim", resume.

O citado texto pode ser vizualizado no seguinte link : ´´A Universidade no século XXI``

quarta-feira, 25 de maio de 2011

1° Cineclube Conexões em cartaz.

Por: Thayara C. S. de Lima




O 1° Cineclube Conexões em Cartaz marcou a abertura de uma série de espaços de diálogos que serão promovidos pelo PET conexões de saberes- diversidade em parceria com o PET conexões de saberes- identidades, ambos vinculados a UFRJ.
Nessa primeira sessão foi exibido o documentário ´´Atlântico negro: na rota dos orixás``, produção nacional que busca as origens africanas da cultura brasileira através de antigas tradições religiosas afro-brasileiras como o Candomblé e o Tambor de Minas.
Contamos com a presença da Profª Drª Mônica Lima do Instituto de História da UFRJ , para uma brilhante contextualização, nos remetendo inclusive para questões interessantíssimas que estavam submersas no enredo principal.
Questões essas que foram debatidas, após a exibição, sob a mediação do bolsista João Raphael do PET Conexões-identidades, e suscitaram diversas reflexões as quais eu convido agora os meus colegas bolsistas a compartilharem conosco.

Thayara C. S. de Lima