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domingo, 15 de abril de 2012

Seminário Interno - 1 ª Edição

Iniciando as atividades de 2012, o grupo PET/ Conexões de Saberes- Diversidade mantém em seu projeto alguns eventos bastante comentados em nosso Blog, tais como o "Conexões em Cartaz", "Mesas de diálogo", o desenvolvimento de pesquisas individuais e/ou em dupla, mas não é só isso, temos algumas novidades também.

A pesquisa de História oral sobre a Implementação de Ensino e História da cultura afro-brasileira nas Escolas de Educação Básica do Estado do Rio de Janeiro, junto ao corpo docente e a direção das escolas entrevistadas dão o "ponta pé" inicial para a nossa contribuição para que a lei 10.639/2003 seja efetivamente trabalhada nas escolas, mas o que realmente quero aqui destacar é um novo espaço de evento, dessa vez voltado para os próprios integrantes do grupo.

O "Seminário Interno" teve sua primeira edição realizada no dia 11 de Abril na Faculdade de Educação da UFRJ, nossa primeira convidada foi a professora Giovana Xavier que recentemente defendeu sua tese de Doutorado pela UNICAMP. Em uma conversa espontânea Giovana nos relatou não apenas algumas curiosidades e detalhes de sua tese, mas também sobre a sua trajetória enquanto estudante de origem popular, mulher e negra.

Nós enquanto estudantes sempre vivemos cercados de dúvidas, incertezas quanto ao curso escolhido, a profissão a seguir, qual objeto de pesquisa escolher, o que fazer após a conclusão da graduação, tentar ou não o mestrado?, ir desesperadamente em busca de emprego?, como lidar com os comentários de amigos e familiares quando não compreendem, ou melhor, quando desconhecem, a importância em dar continuação aos estudos.

Giovana salientou que um pesquisador não nasce pesquisador, ele se faz pesquisador, ou seja, enquanto não organizarmos uma certa "disciplina" de estudos, pesquisa, enquanto não nos inteirarmos nesse "mundo do conhecimento", dificilmente conseguiremos desenvolver algo de qualidade, algo que gere uma ação transformadora, que venha a desconstruir ideias por vezes cristalizadas e polêmicas.

O que mais me encantou foi o "tom de realidade" durante o seminário, "nada cai do céu", nada é pré-determinado, mas ao mesmo tempo, o seminário trouxe o incentivo a continuar a "sonhar" e acreditar que é possível com a devida dedicação, com o devido "tom de realidade", traçar uma trajetória tão bem-sucedida quanto a da Giovana, que tem uma história que não se distancia da minha realidade e da realidade dos outros componentes do PET/Conexões de Saberes existentes.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Informações sobre "5X Favela"


Saiba mais sobre os diretores de "5X Favela- Agora por nós mesmos"

http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/51/a-favela-por-ela-mesma

Trailler do filme:

http://www.youtube.com/watch?v=UIM-BIBeclk

Curta "Arroz com feijão"
Episódio 2 - Arroz com Feijão: Para conseguir um quarto para o filho, os pais de Wesley (Juan Paiva) resolvem reduzir o cardápio diário a arroz com feijão. No aniversário do pai o garoto se junta ao amigo Orelha (Pablo Vinícius) para conseguir dinheiro, no intuito de comprar um frango como presente.



http://www.youtube.com/watch?v=5MAKM7ZR8CI

"Conexões em cartaz- 5x Favela"



Na Quinta-Feira dia 29 de Março, realizamos o nosso primeiro “Conexões em Cartaz” de 2012 dando continuidade ao evento que teve bastante repercussão não apenas em público, mas também de construção de opinião e conhecimento em 2011. O Cine Clube foi realizado pela primeira vez na Faculdade de Letras da UFRJ.

O primeiro filme a ser exibido foi “5X Favela- Agora por nós mesmos” dirigido por jovens diretores (Wagner Novais, Manaira Carneiro, Rodrigo Felhas, Cadu Barcellos, Cacau Amaral, Luciana Bezerra, Luciano Vidigal), sendo lançado no ano de 2010 é um filme composto por cinco curtas-metragens relacionados ao cotidiano dos moradores de Favelas do Rio de Janeiro, seus costumes, suas lutas, seus sonhos.

Com finais felizes que desatam o respiro de alívio, de satisfação e de aprovação, é presente também histórias com um final ora frustrante, ora dramático, e o pior, ter que reconhecer que o final dramático, frustrante é real e tem aumentado nos últimos anos, porém através do mesmo filme, podemos ver que é possível driblar o condicionamento que a Sociedade capitalista, preconceituosa e excludente na qual nos encontramos, impõe a boa parte das classes sociais.

Os curtas contribuem e bastante para a não generalização pejorativa dos moradores de espaços populares como as Favelas, representando sentimentos presentes em qualquer espaço num misto de drama, humor permitindo significação e reconhecimento com os personagens. Gírias, roupas, músicas, brincadeiras, a afetividade, o companheirismo e a relação entre a vizinhança seja nos momentos de festa ou nas dificuldades são retratados, sendo possível ressaltar a riqueza cultural presente nas favelas.

Após a exibição do filme, assistimos um breve vídeo com depoimentos de integrantes do Projeto “Conexões de Saberes” do qual o PET/Conexões de Saberes – “Diversidade” e “Identidades” é “herdeiro”. Com o sugestivo nome de “Não me convidaram pra essa festa” estudantes de origem popular relatam como é ser um universitário dentro de um sistema elitista, qual foi a reação de familiares e amigos ao saber de sua entrada na Universidade e como é permanecer na Educação superior mesmo com as dificuldades socioeconômicas.

Em um clima intimista tivemos a oportunidade de expressar opiniões, sentimentos e fazer relações e conexões entre os filmes. O que percebo de interessante em toda a execução do filme, sendo feito um pequeno levantamento de ficha técnica e de crítica é referente ao protagonismo tanto dos atores, quanto dos diretores do filme, o que também é um dos objetivos do PET/Conexões de Saberes. Os jovens diretores citados acima moraram ou moram em Favelas do Rio de Janeiro e boa parte dos atores é oriunda do mesmo espaço.

Longe de ser uma alternativa de vitimização e de políticas de caridade do espaço e dos sujeitos, o filme é uma forma de valorização e também de reivindicação voltando os olhos para a expressiva quantidade de moradores e consecutivamente para uma grande quantidade de sonhos, talentos, histórias que não podem ser desperdiçadas.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Os saberes em conexão

Relatos da oficina “Quem conta um conto... Se esquece de um ponto!" – parte 2

Continuando meus relatos sobre a realização da oficina temática, nesse post gostaria de expressar sobre a oficina na escola da Penha realizada com uma turma da Educação de jovens e adultos (EJA) correspondente ao quarto/quinto ano do ensino fundamental,onde cerca de vinte alunos participaram.


Antes de começar a atividade, fiquei ansiosa pensando se eles iriam participar respondendo as perguntas, relatando situações, dando as suas opiniões, pois esse é o objetivo da oficina, estimular a participação, criar um ambiente em que a questão proposta seja debatida, dialogada e não meramente transmitida. Na minha mente minutos antes da entrada dos alunos, só passava ideias como “o que estou fazendo aqui”, “isso não vai dar certo”, “vou gaguejar”, mas assim que eles entraram na sala, é como se o nervosismo e ideias pessimistas tivessem “caído”, então veio a tranqüilidade e a empolgação de ter a oportunidade de realizar um trabalho como esse.




Parte da especificidade da modalidade EJA é a bagagem e a experiência de vida que eles possuem e essa especificidade é extremamente enriquecedora para quem atua ou realiza uma atividade com singulares alunos. Os relatos nos emocionam, nos fazem rir, chorar, gera em nós revolta, por que injustamente esses alunos foram prejudicados e por vezes talentos, potenciais foram desperdiçados por anos. Abro esse pequeno “parênteses”, falando sobre essa especificidade, porque tive não o fardo, mas o privilégio de estar a frente de uma oficina e dar suporte em mais três, e ainda fui “camerawoman” de uma delas!




Durante essas participações, incluindo a minha oficina pude constatar a ansiedade desses alunos em conhecer sobre essa diversidade,de terem a oportunidade de ver na cultura como um todo a valorização daquilo que eles sabem, do que eles conhecem. Acredito que as oficinas tenham sido uma das chances que tiveram de se verem como protagonistas, como sujeitos de sua própria história, podendo se identificar, sendo reconhecidos e respeitados pelo seu conhecimento de vida, pelo seu conhecimento de mundo. Ainda pude notar a curiosidade e as expressões de surpresa ao ser mostrado para eles algo que não conheciam e o diálogo sendo acalorado por dúvidas, relatos de vida, frases engraçadas, risos, sorrisos e olhares curiosos...



Com a relização das oficinas, vi a concretização de conexões. Interação,articulação e respeito a saberes que não são hierarquizados, mas diversificados. Cheguei naquela escola para falar sobre os contos afro-brasileiros, sobre a contribuição da matriz africana para o nosso país, saí dali recompensada por histórias de superação e por aprendizados de vida, e não se trata apenas de ser negro, mas de ser nordestino, de ser mulher, de ser idoso, de ser morador de comunidade carente, de não saber ler e escrever.




A realização das oficinas temáticas estão sendo primordiais para a minha formação enquanto profissional da educação, enquanto ser humano. Não quero estar em um embate de privilégios para negros por que sou negra e essa é a minha temática, estou no início da compreensão de um embate em busca de uma sociedade democrática para todos independente de cor, classe social ou nível de ensino.





Por mais que eu escreva, parece que sempre vai ficar faltando algo para escrever, portanto vou parando por aqui e aproveitando o espaço, quero fazer a propaganda para a terceira e última parte dos relatos da oficina, dessa vez em Comendador Soares, AGUARDE!











Luciana S. Silva







domingo, 23 de outubro de 2011

Relatos da oficina: "Quem conta um conto... Se esquece de um ponto" - parte I

As oficinas temáticas, mais uma das atividades do PET/ Conexões de Saberes - Diversidade, foram realizadas nos meses de Setembro e Outubro por todos os integrantes do projeto nas respectivas escolas CIEP Gregório Bezerra localizado no bairro da Penha zona norte do Rio de Janeiro e no Colégio Antonio da Silva em Comendador Soares no Município de Nova Iguaçu.


Tivemos por objetivo levar ao conhecimento dos participantes um pouco mais das influências da matriz africana em nosso país, não apenas valorizando, mas respeitando tal contribuição e também numa iniciativa para que não se apague e muito menos se omita tamanha riqueza presente desde o início da construção de nossa sociedade até aos dias de nossa sociedade atual.


Bom, antes de expressar nesse espaço quais foram minhas impressões, expectativas, e claro, sobre os meus sentimentos (por que não?), vou tentar resumidamente explicar o porquê ter escolhido trabalhar com contos afro-brasileiros. Cada integrante do grupo PET/ Conexões de saberes- Diversidade teve a oportunidade de escolher qualquer tema desde que estivesse dentro da temática “diversidade” e não necessariamente trabalhar a questão do “negro”. Tive muita dificuldade em desenvolver o que eu queria, pensei em várias coisas, e ao mesmo tempo em nada, não foi uma atividade para pontuar como fácil ou difícil, mas simplesmente uma fase de aprendizado, foi mais um passo na nossa autonomia, pois foi nos dada à confiança de algo que não nos foi imposto, porém uma escolha dentre muitas que teríamos que fazer, teríamos que estudar o assunto e mais do que isso, realizar uma oficina sobre esse assunto.


Apesar de toda essa “complicação” inicial, de uma coisa eu já sabia: “Quero ressaltar a riqueza do negro, não sei exatamente de que forma ainda, mas é sobre esse tema que será a minha oficina”. A própria escolha de um objeto de pesquisa, foi de grande aprendizado para mim, no início admito que não estava entendendo o que era exatamente para ser feito, pois para se realizar uma atividade de “extensão” antes é necessário se realizar uma “pesquisa” e era essa indissociabilidade que eu não compreendia. “Ir para fora”, fazer extensão não significa ser algo inferior ou superior do que o ato científico da pesquisa, por mais que alguns façam essa hierarquia, posso com clara e inabalável certeza dizer que esta afirmação é equívoca, apesar de não reconhecida por muitos.


Compreender essa indissociabilidade de pesquisa e extensão, incluindo o ensino, completando assim esse “tripé”, digamos que tenha “clareado” a minha mente. Retornei a pensar novamente sobre assuntos para serem estudados, pesquisados e enfim realizados em forma de oficinas temáticas. Como “material” para nossa pesquisa, teríamos que buscar em nossa grade curricular da graduação uma disciplina na qual poderia ser trabalhada/refletida as relações raciais em suas diversas dimensões, durante o período de estruturação da oficina, estava no 3º período e tendo uma disciplina com o nome de “Educação e comunicação I”, onde entre outras coisas, a importância em se formar leitores e, portanto, estudando os diferentes gêneros textuais presentes na literatura, tais como lendas, fábulas e sim, os contos.



Fiz algumas “transações” com a professora da disciplina que me deu algumas dicas e me sugeriu ler Luís da Câmara Cascudo, um dos maiores estudiosos sobre a cultura brasileira e fui me encontrando nos contos, mas não nos contos em si, pensei no folclore, na cultura popular brasileira, só que é um assunto tenso e complexo. Acredito que meu grande equivoco ao falar sobre o tema foi não tê-lo estudado, o que eu fiz foi apenas “armazenar” conteúdos. Me apropriando das falas de Paulo Freire presentes no livro “Professora sim, tia não” (olho d’água , 1997) em que diz :



“Estudar é uma preparação para conhecer, é um exercício paciente e impaciente de quem, não pretendendo tudo de uma vez, luta para fazer a vez de conhecer”.



Reconheço que uma das minhas dificuldades foi a falta do “exercício paciente e impaciente”. O exercício da impaciência em busca de conhecer e compreender, e o exercício da paciência do não ter compreendido e assim ter que retornar, ler e pesquisar novamente para então ter propriedade do que se fala. Estudar nas palavras de Paulo Freire (1997), é uma ação que necessita ser trabalhada e forjada, sendo necessário ser persistente, e como dever de todo aquele que se engaja nessa tarefa é preciso estar instrumentado, estando disposto a aprender com o diferente e com o antagônico também.


Quando apresentei para o grupo a minha proposta, ainda não tinha compreendido essa visão do que é estudar, do que é conhecer, resultado, não foi uma boa apresentação além de se trabalhar folclore ter sido um tema não propenso. Resolvi iniciar tudo novamente, e com o exercício paciente e impaciente pude dar o "pontapé" inicial para conhecer sobre o que estou falando. Com a ajuda de colegas e dos instrumentos necessários (materiais, suportes de estudo) e com a devida orientação acadêmica, pude incrementar e definir a minha proposta."Ufa"! Ainda estou em processo, ainda há muito o que aprender!


Logo no início, disse que tentaria descrever resumidamente sobre como foi a escolha do tema e a estruturação para a oficina. Isso não foi o resumido que eu pensava... mas, resolvi dividir essa experiência em três partes, essa foi a parte I, na próxima eu descrevo como foi a realização da oficina na escola da Penha e por último em Comendador Soares.




Até breve!




Luciana S. Silva








domingo, 31 de julho de 2011

De volta ao Amistad: Reflexões e discussões sobre o filme


O último cineclube em cartaz foi realizado no mês de Junho e contou com a exibição do “hollywoodiano” Amistad de Steven Spielberg. Após a transmissão do longa, tivemos a oportunidade de discutir e refletir sobre a temática do filme (ressaltando que foi baseado em fatos reais) e que nesse post gostaria de compartilhar. Vamos as impressões! Em primeiro lugar há de se destacar que durante o evento pudemos ver a centralidade da figura heróica branca, sendo no longa representado pelo sexto presidente dos Estados Unidos John Quincy Adams. Sinceramente se tal aspecto não tivesse sido comentado, eu não teria percebido, e isso demonstra o quanto essa figura heróica é rotineira e natural nos filmes, em especial, os longas americanos. Tal “naturalidade” a essa figura denota o quanto o cinema, a televisão, os meios de comunicação em geral, mesmo em nações ditas “modernas”, mesmo em um filme que mostra a luta dos africanos por sua liberdade e sendo eles os próprios protagonistas, afirmam e pregam a exaltação e superioridade do branco.

Outro aspecto, que também se destacou na primeira exibição do Cineclube com o documentário “Atlântico negro na rota dos Orixás”, foi conhecer e identificar um pouco da cultura africana, que mais uma vez deve-se dizer: é extremamente diversificada. Uma das coisas da qual não tinha conhecimento, diz respeito à ideia de tribos. Tribo, em uma rápida pesquisa que fiz na internet tem o seguinte significado: “Sociedade humana rudimentarmente organizada”. O que chamou a minha atenção foi a presença da palavra “rudimentar”. A palavra “tribo” nada mais é do que a reconfiguração de seu significado, dando a ela uma ideia moderna e sendo destinada aos indígenas, asiáticos e africanos, não me lembrando em nenhum instante de tal palavra destinada a comunidades étnicas de cor branca.
Pudemos ver em todo o filme que os africanos do Amistad falavam diversas línguas, não se misturavam, antes se agregavam conforme a sua origem étnica, o que mostra o contrário do que muitos pensam do continente Africano. A África é há tempos organizada, com diversas nações, com pensamentos diferentes, com seus próprios líderes e crenças, o seu diferencial está em viver de forma que não age de acordo com os hábitos europeus.
Por último gostaria de ressalvar o que diz respeito as motivações que fizeram os prisioneiros do Amistad terem tanta repercussão. Os radicais acreditam que tal repercussão se deve a questões meramente políticas e econômicas, mas por outro lado, não podemos desmerecer a luta dos abolicionistas e dos próprios africanos. A política e a economia intervêm, modifica, atrapalha e ajuda conforme os seus interesses e determina os próximos passos de uma nação, os movimentos sociais e revolucionários também, mas o seu diferencial consiste no reconhecimento de que todos somos iguais e que não há regime político que possa justificar o contrário e são representações como essa que me faz acreditar que hoje, podemos ser esse diferencial, e podendo lutar em benefício, ou melhor, por igualdade, não só racial, mas social e humana.

Dando as devidas críticas à ficção, o filme é bonito, bem-feito, forte, emocionante, bom para reflexões,discussões e análises. Vale a pena assistir!
Sinopse e ficha técnica do filme: http://www.adorocinema.com/filmes/amistad/

domingo, 26 de junho de 2011

Cine clube de Junho - "Amistad"


Essa semana os projetos "PET/Conexões de saberes- Diversidade" e "PET/Conexões de saberes -Identidades" estará com o evento "Cine clube em cartaz" em sua segunda exibição. O evento acontecerá no dia 29 de Junho à partir das 14 horas na sala de vídeo da Faculdade de Educação da UFRJ. Teremos uma contextualização e a mediação de uma das bolsistas do projeto Diversidade e também uma das autoras do blog: Thayara Lima, além da participação mais que especial da professora da UFRJ e coordenadora do projeto Identidades: Warley da Costa.

O filme a ser exibido será "Amistad" uma produção de Steven Spielberg baseada em fatos reais, contando uma história de luta em favor da liberdade.
A Faculdade fica no Campus da Praia Vermelha na Avenida Pasteur, 250, Fundos, 2º andar - Urca, Rio de Janeiro.

As críticas continuam.... A interferência do setor privado nas Universidades públicas

Dando continuidade as impressões, criticas e reflexões sobre o livro: “A Universidade do século XXI” do intelectual Boaventura, segue minha contribuição e opiniões quanto ao assunto explorado:

Uma das questões mais polêmicas como podemos ver, nas criticas dos colegas petianos Thayara e Bruno, é a interferência do setor privado nas Universidades públicas. Assumo que sou um pouco pessimista em relação ao Estado, mas não vejo por que apontarmos como saída a entrada cada vez mais facilitada do setor privado em uma instituição pública, não cabe a nós o direito de reivindicar? De lutar por nossos direitos? Essas duas perguntas geradas por um inconformismo chegam a ser consideradas “chavões” para muitos, mas a repetição de tais frases refletem há quanto tempo se tem lutado em prol de uma Universidade de qualidade ao acesso de todos.

Mas, mediante a tantas crises e ao desinteresse do Estado, não vejo como solução uma “legitimação” do setor privado, pelo contrário, vejo uma complicação e uma dependência cada vez maior das Universidades públicas as grandes corporações, gerando riquezas e conhecimentos não para um bem social, mas para um interesse lucrativo de uma ideologia dominante. Quanto mais nos deixamos “envolver’ por essa privatização, o Estado diminui a sua responsabilidade para com o Ensino superior.

Já somos considerados como um setor de serviços pelo Estado, agora estamos em pleno processo de mercado lucrativo das grandes empresas, permitindo essa flexibilização de nosso espaço público superior, sem querer ser dramática ou radical, do jeito que estamos iniciaremos um intenso processo de privatização das Universidades públicas e para conter a população, algumas “políticas de caridade” por parte do Estado, com bolsas minguantes de auxilio, sem a mínima preocupação em democratizar o acesso e a permanência daqueles oriundos das classes populares.

O que podemos fazer além de estudar e compreender a situação pela qual a Universidade tem passado é ir contra um consenso hegemônico apresentado a nós pela globalização neoliberal, com suas tecnologias de informação e comunicação reforçando ideias de empregabilidade, descompromisso do governo para com a população e a ampla privatização dos bens públicos. Não estamos em uma situação fácil seja de atuação, seja de reconhecimento da luta, mas o que não podemos deixar de fazer é continuar a propagar e apresentar ideias e soluções contra-hegemônicas afinal, “Não cabe a nós o direito de reivindicar? De lutar por nossos direitos?”